Manejo de águas pluviais encerra ciclo de palestras do Seminário Anual de Saneamento Básico, do Pró-Sinos

Iniciativas realizadas em municípios consorciados foram apresentadas em palestras disponíveis no YouTube. Último debate ao vivo será no dia 13 de agosto

 

 

   Depois de discutir sobre soluções para o manejo de resíduos orgânicos e alternativas para o tratamento de esgoto, a terceira etapa do Seminário Anual de Saneamento Básico aborda o manejo de águas pluviais e a implantação e operação de cisternas. O evento é coordenado pela área de Educação Ambiental do Pró-Sinos e o conteúdo das duas últimas palestras está disponível no canal do consórcio no YouTube. O debate sobre o tema será realizado na manhã de quinta-feira (13). Os participantes receberão certificado ao final da programação.


    Educadora ambiental da Comusa, de Novo Hamburgo, Milena Rossetti, apresentou o Programa Guarde a Chuva, que tem como objetivo desenvolver a cultura do uso da água da chuva. A iniciativa foi criada após um período de estiagem, em 2011, quando foi necessário racionamento de água para atender à população. “Foi após esse episódio que surgiu o programa. Neste ano, a estiagem foi ainda maior, reforçando a importância do uso da água da chuva”, observa.


   Material informativo, protótipo de cisternas caseiras, de fácil confecção e manutenção, fomento ao uso, instalação do equipamento na Comusa e nas escolas como instrumento pedagógico fazem parte das ações do programa. “Como se desenvolve uma cultura? É o que a gente vive, o que faz diariamente”, esclarece Milena. Para fortalecer este conceito, foram instaladas mais de 70 cisternas em escolas de Novo Hamburgo. A água da chuva pode ser utilizada na limpeza e para regar plantas. Na palestra, a educadora ensinou passo a passo como confeccionar uma cisterna.


   A professora Adriana Rovêda Cornélius, assessora de Educação Ambiental na Secretaria de Educação de Novo Hamburgo, contou como as escolas se inseriram no programa Guarde a Chuva. Em 2009, foi formado o Coletivo Educador, com representantes de 85 escolas do município. Cada estabelecimento de ensino fez uma auditoria ambiental, com pontos fortes e fracos em relação à educação ambiental. Também foram criados indicadores de sustentabilidade, como gerenciamento de resíduos sólidos, formação de grupos de agentes mirins e escolares, formação permanente, melhoria dos pátios, otimização dos recursos hídricos, entre outros. Coube a cada instituição de ensino pensar como tratar de cada indicador. “A partir de 2011, as escolas foram convidadas a fazer o acompanhamento das suas contas de água. Conseguiram redução de 20% no consumo”, lembra Adriana.


   Em 2017, o Coletivo Educador fez análise das suas ações ambientais e foi criado o Projeto Escola Sustentável (PES), que certificou as boas práticas a partir de indicadores de sustentabilidade. No indicador de recursos hídricos, passaram a integrar o Guarde a Chuva. “A Comusa teve papel importante na capacitação, realizou projetos de pesquisa junto às escolas e fortaleceu vínculo e efetividade do projeto”, afirma a professora.


   Já foram certificadas 54 escolas no indicador de recursos hídricos. Isso fez com que as instituições dessem atenção às águas que circundam a comunidade, como arroios e o próprio rio.

Compartilhando a prática

   A professora Denise Santana Rodrigues é educadora ambiental na EMEF Francisca Saile, no Bairro Roselândia, em Novo Hamburgo. Ela faz parte da COM-VIDA (Comissão do Meio Ambiente e Qualidade de Vida na Escola), que reúne um grupo de pessoas (comunidade, estudantes, pais, professores, funcionários) preocupadas em pensar, planejar e efetivar ações que qualifiquem o meio ambiente e promovam a qualidade de vida em suas comunidades, a partir dos princípios da Carta da Terra.


   A COM-VIDA envolve várias ações, entre elas o debate sobre o uso da água no planeta e sua importância para a manutenção da vida, a compreensão da crise dos recursos hídricos e a busca de soluções para maior economia de água na escola e reuso da água da chuva por meio de cisternas. Em 2017, a COMUSA realizava um trabalho na escola, que desejava reativar duas cisternas no local. Foi aí que buscaram mais informações sobre o programa Guarde a Chuva. Ao todo, quatro cisternas entraram em funcionamento na EMEF Francisca Saile. A água passou a ser utilizada na rega das plantas e na limpeza dos banheiros e das calçadas.


   “O objetivo da COM-VIDA é proporcionar momentos de debate e formação para pais, alunos, professores e funcionários, visando um olhar crítico sobre a atuação do indivíduo no ambiente”, destaca Denise. O trabalho também incentiva a pesquisa - como a investigação a respeito da poluição do Arroio Luiz Rau e a qualidade da água da cisterna, com o objetivo de procurar respostas e soluções para os problemas da comunidade.

 
   A educadora conta que, mesmo com todas as ações, ainda havia desperdício nos bebedouros do colégio. Foi aí que o grupo fez um experimento mostrando quanto se gasta de água no bebedouro: tomando com as mãos, diretamente na torneira ou utilizando a garrafinha, atitude que reduz o desperdício. Isso deu origem a uma campanha pelo uso de garrafas plásticas para os alunos se hidratarem. “A ideia é repensar o consumo de água, energia e materiais, em formas de diminuí-los, minimizando os impactos ambientais e econômico causados pelas necessidades humanas”. A segunda fase do projeto foi voltada às famílias, propondo a construção de cisternas nas moradias. Foi oferecida capacitação com o objetivo de criar multiplicadores e compartilhar boas práticas ambientais.

 

 





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